E.E. Cummings

23 05 2009

Minha primeira experiência com Cummings foi no Reading Club, lendo “somewhere I have never travelled” e adorei. Os poemas dele agora seguem na minha vida. Sei que existem algumas traduções feitas por Augusto de Campos, mas prefiro traduzir ao meu jeito. Traduzi dois destes poemas que gosto. Tente entender:

“now two old ladies sit peacefully knitting”

e duas velhas senhoras sentadas tricotam,
e seus nomes são quase e sempre
“não entendo o que a vida possa ter visto nele” contando
pontos sempre diz;e sua irmã( esconden-
do um bocejo)contrapõe “a eu não sei;morte é até atraente”
-”atraente!mas como podes dizer tal coisa?quando penso
em meu pobre querido marido”-”mas não seja absurda:o que eu disse foi ‘até atraente’,querida;e sabes muito bem que nunca foi muito mais que atraente, nunca era
estupefante”(um estampido. Ambas pulam)”céus!” sempre exclama “que
foi aquilo?”-”aí vem tua filha”
acalma quase;ao qual
a jovem esposa de morte entra;lamuriante,e gemendo
“terrível criança!”-”que foi”(quase e sempre juntas questionam)”agora?”-”minha boneca:minha linda boneca;a exata primeira boneca que me destes, mãe(quando eu podia quase
andar)com os olhos que abriam e fechavam(tu se lembras:não, tia;a chamávamos amor)e a guardei
todos esses anos,e hoje fui a um armário
procurando algo;e abri uma caixa, e lá ela
estava:e quando ele a viu, ele implorou-me para deixá-lo
segurá-la;apenas uma vez:e eu disse “humanidade, tenha cuidado;
ela é terrivelmente frágil:não a quebre,ou mamãe ficará brava”
e então(exceto pelos
cliques das agulhas)se fez silêncio

e duas velhas senhoras sentadas tricotam,
e seus nomes são quase e sempre

“não entendo o que a vida possa ter visto nele” contando
pontos sempre diz;e sua irmã( esconden-
do um bocejo)contrapõe “a eu não sei;morte é até atraente”
-”atraente!mas como podes dizer tal coisa?quando penso
em meu pobre querido marido”-”mas não seja absurda:o que eu disse foi
até atraente’,querida;e sabes muito bem que
nunca foi muito mais que atraente, nunca era

estupefante”(um estampido. Ambas pulam)”céus!” sempre exclama “que
foi aquilo?”-”aí vem tua filha”
acalma quase;ao que

a jovem esposa de morte entra;lamuriante,e gemendo
“terrível criança!”-”que foi”(quase e sempre
juntas questionam)”agora?”-”minha boneca:minha linda boneca;a exata
primeira boneca que me destes, mãe(quando eu podia quase
andar)com os olhos que abriam e fechavam(tu se lembras:
não, tia;a chamávamos amor)e a guardei
todos esses anos,e hoje fui a um armário
procurando algo;e abri uma caixa, e lá ela
estava:e quando ele a viu, ele implorou-me para deixá-lo
segurá-la;apenas uma vez:e eu disse “humanidade, tenha cuidado;
ela é terrivelmente frágil:não a quebre,ou mamãe ficará brava”

e então(exceto pelos
cliques das agulhas)se fez silêncio

“somewhere i have never travelled”

em algum lugar ao qual nunca viajei, felizmente além
de qualquer experiência,teus olhos têm tal silêncio:
em teu mais frágil gesto estão coisas que me encerram,
ou que eu não posso tocar por estarem tão proximas

teu mais rápido olhar vai facilmente me descerrar
mesmo tendo fechado-me a dedos,
você abre-me sempre pétala a pétala como a Primavera abre
(tocando sabiamente,misteriosamente) sua primeira rosa

ou se teu desejo for fechar-me, eu e
minha vida vamos nos fechar belamente, repentinamente,
como quando o coração de tal flor imagina
a neve cuidadosamente descendo em todo lugar;

nada que percebemos neste mundo se iguala
ao poder de tua intensa fragilidade:cuja textura
me compele com as cores de seus continentes
reconstruindo a morte e sempre a cada respiração

(eu não sei o que em você que fecha
e abre; só algo em mim entende
que a voz de teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém,nem mesmo a chuva,tem mãos tão pequenas

E é assim…





Definição Indefinida

9 05 2009

Em uma das minhas personificações por aí, notei que era necessária uma mudança. Pra me definir, joguei palavras ao vento, soprei com a inspiração, tirei os sonetos e ficou:

Definir em palavras claras, complicado.
Parnasiano, Teatral, Comédia e Tragédia
Dia e Noite, Carpe Nox, Senso e Imenso
Útil e Fútil, Calar e Imaginar
Fechar é Abrir, Sorrir e Gritar
Errar e Saber
Aprender
E
Ser

E foi isso.





Canção do Exilado

8 05 2009

Professora de Comunicação nos pediu pra criar algo relacionado à Canção do Exílio:

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em  cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar –sozinho, à noite–
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar – sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Criei algo mais triste, mais real e convincente com a realidade atual… Aqui está:

Canção do Exilado

Nessa terra de palmeiras
Não mais ouço o Sabiá
As aves que caem do ninho
Não aprendem a voar

Não enxergo mais estrelas
Dentre vasos morrem flores
Nos bosques, uns perdem a vida
Uma vida sem amores

Ao chorar sozinho à noite
O prazer que não mais há
Nessa terra de palmeiras
Sem ouvir o Sabiá

Aqui já teve primores
Que procuro encontrar
Ao chorar sozinho à noite
Sem prazer em me expressar
Nessa terra, só palmeiras
Já não mais o Sabiá

Nem eu

E é isso.





Sobre

3 05 2009

Sobre este novo blog…

Aqui estarão os Textos, Poemas, Criações e Outras coisas indefinidas que assolam a Mente Inrível de Dan Sinclair.

Já aviso que este blog não será tão atualizado quanto O Incrível Mundo de Dan Sinclair, que já não é atualizado sempre… Mas você vai entender.

Vamos lá.








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